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Negócio suspeito na OPV da Galp

October 20th, 2006

A L.J. Carregosa está alegadamente envolvida. A proposta visa convencer os investidores a subs cre verem acções por conta de um terceiro, que assume os encargos e ainda oferece um “prémio” de 15%.

Diário Economico, Sílvia de Oliveira e Tiago Freire


A ATM, Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais identificou um negócio suspeito à volta da privatização da Galp, no qual está alegadamente envolvida a sociedade financeira de corretagem L. J. Carregosa.
Ao que o Diário Económico apurou, a denúncia chegou ontem à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), sendo que a autoridade de supervisão se prepara agora para analisar toda a informação recebida.

A proposta de negócio é liderada por Paulo Jorge Antunes Inácio, um investidor que já se envolveu em vários casos polémicos com o regulador do mercado de capitais, sendo que é a corretora nortenha que alegadamente está incumbida de captar potenciais interessados. A estes, propõe-se que assumam o compromisso de subscrever e adquirir o máximo possível de acções da Galp, no âmbito da oferta pública de venda (OPV) em curso e que, futuramente, as vendam, ou cedam a Paulo Inácio. Este compromete-se, conforme tem sido alegadamente garantido pela L.J. Carregosa, a nunca requerer qualquer capital para fazer face à aquisição dos títulos, ou eventuais prejuízos, para além de prometer uma contrapartida de 15% do resultado resultante da venda, descontados todos os encargos inerentes.

Fonte oficial da L.J. Carregosa, contactada pelo DE, recusou qualquer envolvimento nesta situação.

Segundo uma fonte contactada pelo Diário Económico, os contratos que são apresentados aos potenciais investidores suscitam várias dúvidas de interpretação, para além de estarem a ser propostos, indiscriminadamente, a qualquer pessoa, conhecedora ou não dos riscos existentes num investimento em acções.

Acresce que, o alegado envolvimento no negócio da L.J. Carregosa, a mais antiga corretora da Península Ibérica, confere credibilidade à operação e que, por isso, os potenciais investidores poderão não ponderar devidamente as consequências de um eventual não cumprimento, por parte de Paulo Inácio, do acordado inicialmente efectuado. É que, se tal se verificar, serão os potenciais investidores, que deram as ordens de compra de acções da Galp que, pelo menos numa primeira fase, terão de responder perante as responsabilidades assumidas com a L.J. Carregosa, ou com qualquer intermediário financeiro envolvido, no âmbito da OPV da Galp.

O Diário Económico confrontou ontem a Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais com esta situação com o objectivo de perceber qual poderá ser, neste momento, o número de pessoas que assinaram os contratos com Paulo Inácio. No entanto, fonte oficial desta associação recusou prestar mais comentários e limitou-se a referir que remeteu o processo para a CMVM, que tem competência e estará melhor habilitada para tratar do assunto.

Por sua vez, a autoridade de supervisão acrescentou, através da sua porta-voz, que irá analisar a informação recebida e que só se poderá pronunciar após essa fase.

A L.J. Carregosa “tem 173 anos de história e respeita sempre as regras deontológicas e de legalidade”, referiu fonte oficial da corretora, afastando qualquer envolvimento desta.

Não estamos a fomentar qualquer tipo de negócio desse tipo, nem estamos a propor a clientes ou seja quem for que faça um negócio desses por nosso intermédio, acrescentou a mesma fonte.

A corretora afirma ainda que qualquer dos seus colaboradores envolvido numa operação ilegal “seria imediatamente despedido, mas esse envolvimento não existe.

Ainda assim, a mesma fonte salienta que em todas as OPV há negócios particulares entre os investidores, de forma a ultrapassar o limite de acções estabelecido para cada investidor particular.

Na prática, um investidor com poder financeiro solicita a outros que dêem as ordens máximas de compra de acções na OPV, para depois as venderem ao primeiro, que fica assim com uma posição inicial muito superior à que teria direito.
Se há negócios particulares entre investidores, e esses deram-se em todas as OPV, não se dão apenas num ou noutro intermediário, e sim em todos”, referiu a fonte oficial da corretora, salientando que a sua entidade não serve como fomentadora ou autora desse tipo de acordos.

As raízes da L.J. Carregosa remontam a 1833, sendo que a financeira de corretagem deu, recentemente, entrada,  no Banco de Portugal com um pedido de transformação em banco. Américo Amorim, um dos principais accionistas da Galp, será um dos principais accionista do futuro banco com uma participação de cerca de 10%.

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