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Poupanças regressam ao colchão

January 26th, 2008

Pedro Ferreira Esteves in Diário Notícias

As fortes quedas das bolsas neste início de ano tiveram um mérito: obrigam - por anteciparem um abrandamento económico - a fazer contas à vida. Essas contas dependem da situação financeira de cada um: se têm ou não acções ou produtos financeiros, se estão muito endividados, se gastam mais do que têm ou se têm uma acumulação de responsabilidades com seguros, créditos ou pensões. Não há uma receita de sucesso que sirva para todos. Apenas uma convicção: com o abrandamento económico aumentam os riscos de as despesas passarem a pesar mais que os rendimentos; e o regresso às apostas mais conservadoras garante menos preocupações.

Produtos financeiros

A perspectiva de um forte abrandamento económico traz duas novidades: as acções perdem valor, perante um cenário de maiores dificuldades para as empresas; as taxas Euribor descem com os sinais de uma previsível inversão da política monetária do Banco Central Europeu.

No caso dos produtos financeiros, naqueles que têm um maior peso das acções, é natural que se assista a uma perda de valor. Isso mesmo já é visível nas taxas de rentabilidade negativas dos fundos de acções em 2008. Mas estes produtos devem ser vistos numa lógica de longo prazo, que tende a filtrar os picos e as fortes quedas das acções, resultando num saldo final historicamente positivo. Há que ter em atenção os custos associados e a subida da inflação durante esse período. No entanto, em momentos de turbulência nos mercados financeiros, a tendência é apostar mais em produtos com maior peso de liquidez, obtida através da aposta em depósitos a prazo.

No que diz respeito à Euribor, a confirmar-se a recente tendência de descida a remuneração dos depósitos tenderá a baixar. Mas os bancos continuam a precisar de dinheiro para equilibrar os balanços, por isso há oportunidades no mercado para tirar partido dessa necessidade.

Acções

Octávio Viana, da associação de investidores e analistas (ATM), aconselha que os investidores tomem decisões consoante o seu prazo de investimento. “Para os de longo prazo, os baixos preços das acções criaram oportunidades. Mas ninguém garante que não surjam novas quedas acentuadas. O ideal é não se endividarem para tirar partido dessas oportunidades”, explica. Quanto a quem aposta na Bolsa a curto prazo, “neste momento, o melhor é estar fora, em liquidez. Quando surgir a recuperação, dará jeito ter liquidez para voltar a reentrar”.

Consumo

“Diminuir o padrão de consumo é muito complicado. Para quem já passa por dificuldades, há que fazer uma reestruturação das despesas nos orçamentos familiares”, explicou ao DN Pedro Moreira, director da Deco-Proteste.

Créditos

“A descida das Euribor tem um efeito positivo nas prestações ao banco”, resume Pedro Moreira. No entanto, esse efeito não será visível para quem subscreveu créditos com taxa fixa no último ano. |

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