Associação de Investidores defende a aprovação da proposta de fusão do BPI com o BCP, mas aponta algumas desvantagens e preocupações neste negócio.
Desvantagens para os clientes que ficam com menos opções e menos concorrência, para os trabalhadores, que podem ficar desempregados, e para os accionistas do BCP, que ainda esperam pelo retorno de alguns dos investimentos feitos.
Ainda assim, defendem que esta proposta não deve ser rejeitada pelo BCP.
“É favorável a operação que está desenhada, ou seja, considera que a constituição de um importante grupo bancário a nível nacional tem vantagens acrescidas para os investidores porque será, com certeza, uma empresa lucrativa e consolidada e tem também vantagens para o país”, disse Luís Nandim de Carvalho.
Ainda assim, este responsável admite algumas preocupações resultantes desta fusão, entre elas a remuneração dos accionistas.
Este negócio, tal como foi apresentado, tem ainda desvantagens para consumidores e trabalhadores.
“Claro que é um problema social relevante porque o facto de haver apenas um player resultante da fusão significa que as pequenas e médias empresas e os próprios consumidores terão menos interlocutores para obtenção de crédito e, consequentemente, a concessão de crédito vai ficar mais exigente. Do mesmo modo em relação aos trabalhadores: é provável que, num fenómeno de fusão, haja trabalhadores que fiquem sem possibilidade de continuar a desempenhar as suas funções. Não foi aprofundado em termos quantitativos esta análise, o que também depende do processo de expansão”, refere.
Nandim de Carvalho acrescenta que, por exemplo, “é previsível que o futuro Millenium BPI se vá desenvolver em África, o que pode levar à criação de postos de trabalho”.
Esta é apenas uma das várias incógnitas que ainda rodeiam esta proposta de fusão, lembra Luís Nandim de Carvalho, da Associação de Investidores. Uma proposta que ainda não tem o aval do BCP, nem dos accionistas dos dois bancos, que caso haja acordo serão chamados a pronunciarem-se, em Assembleias Gerais.
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